sábado, 12 de julho de 2014

Tuguises pt I


  Respeitem a minha falta de inspiração para criar uma entrada memorável na cibernética bloguista, que não sigo de todo,  e aceitem que tudo o que lerem aqui poderia ser facilmente redigido por um indíviduo com chico espertismo de nível mediano-baixo que resida na vossa localidade. 
 Vou puxar daqui da algibeira um olhar sedutor,  um cigarro e um tema meio parvo (tan tan tan TAN): As escolhas pindéricas do consumo dos Portugueses antes da crise!
 Sentem-se e oiçam o interlúdio da cena. Não querendo puxar conteúdo sério para a mesa,  vou só chutar que os Portugueses no final dos 90’s e 00’s tiveram possivelmente o maior rendimento disponível e consequente maior nível de consumo da sua história, mesmo com isto,  o nosso trote não acompanhava o galope Europeu. *Cartão amarelo: por tentativa de seriedade*. Este período concedeu aos tuguis a possibilidade de se consumir coisas para além de bilhetes para a bola ou comes&bebes no café, e com isto vieram as tais escolhas de consumo deploráveis.
Como tudo tem uma consequência,  O Deus do Consumo irado com estas escolhas lançou-nos uma Crise, para nós reaprendermos a consumir como outros povos que ai e tal sim senhor consomem bem, dizendo:”Irás comprar mais marcas brancas, pedincharás mais na tasca e sentirás na pele a dor do juro do Mercedes que compraste à 8 anos”- Salmo 12-54. E cá estamos.
 
 Vamos atirar as culpas para essa classe média mandriona então. Um exemplo gritante e que me arrepia de vergonha alheia, é o mini-bar de madeira na sala, deixem-me ver se “ya know what i´m sayin?”. O mini-bar na sala com 35-40m2, com bebidas que nunca se beberão, com um espelho marado imbutido, facilmente confundido com o mini-bar da Concentra versão adultos e por fim, como os tuguis combinam famelga com pinga, nas prateleiras em que não têm garrafas têm fotografias dos netos/sobrinhos/tios/(e essas merdas todas).  Muitas destas fotografias contam aqueles fundos azuis com estrelas e com aquelas poses  que...*sem descrição possível/error 404*.
  Agora para segundo lugar, tenho as mobílias, quadros, recheio ou artefactos(chamem-lhes o que quiserem). Graças ao Deus do Consumo, chegou o Ikea e a escolha do mobiliário de lá para cá melhorou,  porque  a malta tem menos grana e compra no Ikea que é mais barato e consequentemente menos agressivo para os olhos das visitas de lá de casa, nem tudo é mau. É difícil puxar-vos um exemplo, porque a “bio diversidade” do pinderiquismo nesta área é brutal, mas todos já vimos a coluna romana pintada com dourado vomitado com uns girassóis postiços em cima e os quadros tão desenquadrados que se tivessem ao contrário era melhor.
 Já fiz uma alusão ali em cima a isto, citando o Deus do Consumo que citou Salmo. Isto é um no escape, quando se fala da grande temática das Escolhas de Consumo Dos Portugueses Antes Da Crise(ECDPAC). Estou-me a cagar se toda a gente acha que um carro bom é um most to have, antes de uma licenciatura ou até que uma formação em unhas de gel brasileiras .  Não compreendo  a compra de carros caros, QUANDO o consumo desse bem, IMPLICA comer mal, morar numa barraca, não poder pôr gasolina no carro, não andar com o carro(para não o estragar claro), não poder comprar uma camisola do Aimar, é rídiculo. Um tójó com rendimentos na ordem dos 4.000 mensais, compreende-se que compre um carro que custe à volta dos 25.000, agora um zéca que nem dinheiro tem para festejar com bolos e sacos de oferta de doces o aniversário da filha, NÃO! É literalmente um Crime de Consumo Grave(CCG).


Com certeza que não sou dono e senhor da razão(ou então sou), todos temos direitos às nossas escolhas de consumo(sensíveis às devidas sanções do Deus do Consumo), mas se os tuguis tivessem investido o dinheiro em vês de o gastar em bens(poderei chamá-los de males?), com certeza que hoje estaríamos apenas um bocadinho de nada melhor.
 Todo este clima de consumo e de fácil acesso ao crédito ajudou a que isto acontecesse, misturado com o mau gosto e falta de leccionamento em matérias como a poupança e o investimento, que o nosso país pouco instruído se ressente. Haver uma dinâmica prática de aprendizagem de poupar e investir é fundamental para a saúde económica de uma sociedade tal como ...*Cartão vermelho: acumulação de amarelos ambos por tentativa de seriedade*

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